Possivelmente porque sabe que morrerá de pé.
Possivelmente porque o único reconhecimento que teve
foi o que excede fisiologicamente ao Homem.
Possivelmente porque nunca conheceu a família.
Olho este candeeiro e sei que ele nunca lá esteve.
É fruto por parecença.
Levanta-se sem medos,
sozinho, na Treva,
e ilumina,
como deveria ser meu papel.
Mas o seu frio é intenso,
o seu calor é apenas funcional.
Vive a tristeza do seu leito.
E isso torna ténue a sua calorosa, vibrante luz.
Assim se levanta,
morrerá de pé,
como deveriam os filhos de Camões jazer.
Sonh'algo
Não comanda a vida, é a Vida.
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Possivelmente porque sabe que morrerá de pé. Possivelmente porque o único reconhecimento que teve foi o que excede fisiologicamente ao Homem...
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A reprovação com que, no teu passeio pelo que é nosso, nos olhas afecta-me. Lava-me e revolta-me o olhar podre, pérfido, humano. Justo. Cami...
domingo, 27 de fevereiro de 2011
De Águia a uma Pomba
A reprovação com que,
no teu passeio pelo que é nosso,
nos olhas
afecta-me.
Lava-me e revolta-me o olhar
podre, pérfido, humano.
Justo.
Caminhas com uma qualquer superioridade
por nós escarnecida.
Cobaias cobardes comendo segundos ao Tempo.
É uma superioridade natural.
É superioridade, mas não o percebemos
de tão inferiores que somos.
Continuas latejante na tua segurança.
Mas morto faz-te um corpo parar.
Maior a reprovação é agora.
Conhece-lo, claro que conheces.
Carcereiro do teu sonho de liberdade,
dono da espada
(com toda a humana superioridade que isso traz)
hoje não é senão o que foi ontem:
um cadáver.
Tu, minha pomba ideal, continuas,
estrada abaixo,
solarenga,
tua.
no teu passeio pelo que é nosso,
nos olhas
afecta-me.
Lava-me e revolta-me o olhar
podre, pérfido, humano.
Justo.
Caminhas com uma qualquer superioridade
por nós escarnecida.
Cobaias cobardes comendo segundos ao Tempo.
É uma superioridade natural.
É superioridade, mas não o percebemos
de tão inferiores que somos.
Continuas latejante na tua segurança.
Mas morto faz-te um corpo parar.
Maior a reprovação é agora.
Conhece-lo, claro que conheces.
Carcereiro do teu sonho de liberdade,
dono da espada
(com toda a humana superioridade que isso traz)
hoje não é senão o que foi ontem:
um cadáver.
Tu, minha pomba ideal, continuas,
estrada abaixo,
solarenga,
tua.
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