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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Europa

Possivelmente porque sabe que morrerá de pé.
Possivelmente porque o único reconhecimento que teve
foi o que excede fisiologicamente ao Homem.
Possivelmente porque nunca conheceu a família.

Olho este candeeiro e sei que ele nunca lá esteve.
É fruto por parecença.
Levanta-se sem medos,
sozinho, na Treva,
e ilumina,
como deveria ser meu papel.

Mas o seu frio é intenso,
o seu calor é apenas funcional.
Vive a tristeza do seu leito.
E isso torna ténue a sua calorosa, vibrante luz.

Assim se levanta,
morrerá de pé,
como deveriam os filhos de Camões jazer.

De Águia a uma Pomba

A reprovação com que,
no teu passeio pelo que é nosso,
nos olhas
afecta-me.
Lava-me e revolta-me o olhar
podre, pérfido, humano.

Justo.
Caminhas com uma qualquer superioridade
por nós escarnecida.
Cobaias cobardes comendo segundos ao Tempo.

É uma superioridade natural.
É superioridade, mas não o percebemos
de tão inferiores que somos.

Continuas latejante na tua segurança.
Mas morto faz-te um corpo parar.

Maior a reprovação é agora.
Conhece-lo, claro que conheces.
Carcereiro do teu sonho de liberdade,
dono da espada
(com toda a humana superioridade que isso traz)
hoje não é senão o que foi ontem:
um cadáver.

Tu, minha pomba ideal, continuas,
estrada abaixo,
solarenga,
tua.